| | "Bem, acho que um autor deve deixar a seus leitores julgamentos desse tipo. Mas, naturalmente, podemos falar sobre essas revisões. Sim, 'communicative turn'. A terminologia não importa muito. Mas 'pragmatic turn' seria melhor. É verdade, isso apareceu com mais força no inÃcio dos anos 70, ainda que o terreno já estivesse um pouco preparado pela recepção da hermenêutica. "Conhecimento e Interesse" já era um pouco uma tentativa de entender Freud a partir da situação analÃtica, como uma conversa entre terapeuta e paciente. Mas é certo que, naquela época, nos anos 60, eu seguia mais fortemente um veio histórico-filosófico, digamos assim, da antiga teoria clássica e dava prioridade a tudo aquilo que, naquele momento, aludisse a grandes questões supra-individuais.
Isso desapareceu e foi substituÃdo pela idéia de que tudo o que temos são contextos comunicativos de caráter intersubjetivo, além, é claro, de instituições que tenham esse caráter intersubjetivo. Portanto, 'guinada pragmática'. Quanto ao que hoje precisasse ser mudado, acho que as coisas que fiz desde a "Teoria da Ação Comunicativa" continuam a me parecer plausÃveis, digamos, em sua arquitetônica, e eu as defenderia. As objeções feitas a essas idéias não são tão convincentes a ponto de forçar-me a fazer grandes revisões.
Por outro lado, pelo menos eu o espero, a gente sempre continua a aprender. E penso que a filosofia do direito que expus em 'Facticidade e Validade' também teve algo de novo. Ela contém uma revisão da idéia, que eu ainda sustentava na "Teoria da Ação Comunicativa", de que se pode distinguir entre o direito enquanto instituição e o direito enquanto meio ('Medium'"). Isso se tornou, depois, problemático para mim. Discuto também, com mais ênfase nesse último livro, a sociedade civil. Embora essa idéia já tivesse aparecido antes." |