| | "A respeito das declarações do governador Sérgio Cabral, o Dr. Paulo de Argollo Mendes, presidente da FENAM – Federação Nacional dos Médicos, declara que:
A ausência dos médicos no plantão do Hospital Getúlio Vargas, no Rio, está sendo investigada e, se constatada culpa, eles serão punidos em várias frentes: no próprio hospital, com a demissão, aliás já anunciada antes mesmo de os profissionais serem ouvidos, e no tribunal ético do Conselho Regional de Medicina, que pode, inclusive, quando é o caso, cassar o registro, proibindo o indivíduo de exercer a medicina em todo o território nacional.
Espera-se que seja permitido o direito de defesa, consagrado na Constituição, embora os profissionais já tenham sido ofendidos e linchados publicamente.
O fato, no entanto, de terem sido necessárias equipes da Polícia Militar para controlar o tumulto causado pelo descontentamento com a falta de atendimento, já permite antever um possível motivo para a ausência: o risco de vida. Temos assistido, com assustadora freqüência, o descaso dos gestores quanto à reposição de pessoal, ou seja, os plantões de emergência do SUS já funcionam superlotados, com pacientes em macas pelos corredores, etc, etc.
As equipes têm número insuficiente de médicos, fazendo com que todos trabalhem além de seus limites e sob a pressão dos que aguardam, descontentes com a demora. Muitos médicos já foram, inclusive, agredidos fisicamente.
Nessa situação, sem obter resposta de diretores e gestores, não é de surpreender que, sendo ainda mais reduzida a equipe, estivessem os que comparecessem em risco de vida.
Os fatos precisam ainda ser esclarecidos, mas algumas coisas são evidentes. O despreparo e falta de educação do governador do Estado é um deles. Outro, no entanto, é positivo. Parece que o Sr. Sérgio Cabral acaba de se dar conta de que há problemas na saúde. E quem sabe, a partir de agora, se tomem providências efetivas quanto à dengue, às filas para atendimento, à falta de contratação de profissionais, às macas nos corredores das emergências, enfim, o criminoso desrespeito com que o governo carioca vem tratando a população”.
Paulo de Argollo Mendes
Presidente da Federação Nacional dos Médicos – FENAM" |